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Maurício Silva: entre idas, retornos e uma vida atravessada pela arte

De volta ao Recife, o artista fala sobre memória afetiva, múltiplos e a exposição “Aller Retour”.

Entrevista: Lula Portela
Retrato individual do artista Maurício Silva
Maurício Silva · retrato, 2024

Depois de mais de duas décadas vivendo em Meudon, nos arredores de Paris, Maurício Silva voltou ao Recife para uma temporada de criação. Chegou no fim de junho com projetos de cinema em andamento e uma exposição individual para montar antes do retorno à França.

Em “Aller Retour”, o artista reúne trabalhos produzidos entre Pernambuco e a Europa. Entre eles está “Crush”, múltiplo que recupera a memória de uma laranjada conhecida no Nordeste e atualiza o duplo sentido da palavra.

“Uma pessoa legal, uma pessoa boa, era uma ‘tampa de Crush’.”

Você está de volta ao Recife depois de mais de 20 anos vivendo na região de Paris. Como tem sido essa temporada?

Cheguei no dia 27 de junho e o tempo passou muito rapidamente. Fui muito bem recebido e consegui realizar um monte de coisa. Estou iniciando um vídeo chamado “Sirot e a Filosofia Batata”, que espero terminar antes da minha partida, no dia 23 de setembro, e produzindo a minha exposição individual.

Como você pensou “Aller Retour” e o que a exposição vai apresentar?

A exposição será na Número, na Rua Eduardo Wanderley Filho, em Boa Viagem. A galeria inicialmente tinha uma proposta voltada para os múltiplos. Quando conheci Gaudêncio, conversamos sobre alguns que eu já tinha em Paris. Um deles é “Tampa de Crush”, feito de resina pintada e adesivo, com peças numeradas e assinadas.

Detalhe de obra da exposição Aller Retour
Aller Retour · detalhe de obra

Para quem não conheceu, o que era uma tampa de Crush?

Crush era uma laranjada muito conhecida no Nordeste. Durante um período, a marca divulgava que quem encontrasse uma tampa premiada ganharia prêmios, como uma bicicleta ou um carrinho de plástico. A expressão virou gíria: uma pessoa legal, uma pessoa boa, era uma “tampa de Crush”. Na obra está escrito “contém arte de Maurício Silva e é colorido artificialmente”. O modelo é igual ao de uma tampa original e também brinca com o significado de crush hoje em dia.

O que mais o público vai encontrar na exposição?

Vai ficar uma montagem belíssima no cubo branco que a galeria oferece. E haverá uma surpresa no dia da abertura. Vocês vão ficar realmente de boca aberta.

É uma performance?

É uma performance dirigida. Eu vou dirigir a ação. O que vai acontecer, aí já é surpresa.

Aller Retour — Maurício Silva
Abertura: 10 de setembro de 2026, às 18h
Número
Rua Prof. Eduardo Wanderley Filho, 187, térreo
Boa Viagem · Recife